Dia da Independência

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Comemora-se hoje o dia da Independência! Dizem que remonta ao ano de 1640 em que Portugal se libertou de um período de 60 anos de reinado espanhol que não terá deixado saudades.

Também por estes dias, há 102 anos atrás, passavam 3 semanas do dia 11 de novembro em que foi assinado o armistício, assinalando o fim da primeira grande guerra Mundial, em que depois de quatro anos de chacina mútua, os vários países envolvidos decidiram parar e deixar as hostilidades de lado.

Já antes tinham existido tantas grandes guerras que talvez só a presunção da época justifique este título pomposo em detrimento de muitos outros acontecimentos de devastação global que a história nos dá a conhecer e que mereciam igual honra.

Hoje, saudamos todos estes momentos de paz, de regresso à tranquilidade, ao desejo de poder viver em harmonia com os demais, aos sonhos de desenvolvimento, de progresso e convivência, mas ainda assim continuamos a viver em clima de guerra…, de armas, bombas e carnificina sangrenta em muitos locais, de ódio, revolta e falta de respeito em tantos outros, de simples maledicência e egocentrismo exacerbado em quase toda a parte.

Se houver uma altura no tempo, uma data, um dia, um momento em que seria dada a oportunidade aos seres humanos de se preparem para uma evolução, para uma transformação, para a possibilidade de acederem a novas experiências, de poderem valorizar outras coisas, de verdadeiramente se alinharem com a sua essência humana, este poderia ser esse dia.

Somos generosos quando atravessamos dificuldades, perante agruras e privações, e cada um de nós sobressai quando ao nosso lado alguém colapsa e pede ajuda. Tem sido assim tantas e tantas vezes que já deveríamos ter aprendido um pouco melhor a lição que se repete, e continuamente se repete em si mesma, sem grande ganho de maturidade.

As guerras, as lutas, a revolta criam novas formas de vida que muitas vezes estavam sedentas de oportunidade de se mostrarem e que não souberem aparecer de outra forma.

A humanidade, a maior caraterística que nos distingue de todos os outros seres, existe em nós nativamente e está sempre pronta para liderar as nossas ações e podemos quiçá lamentar que seja preciso o extremo oposto ao que ela representa para que ela possa intermitentemente brilhar.

Somos biliões de pessoas, como julgamos nunca terem existido antes, num mesmo espaço e tempo, e se, porventura fosse eu criador da vida maior do Universo e tivesse de escolher quando e onde aconteceria esse momento de viragem, iria decidir pelos tempos de hoje… porque já não há muitas lições para aprender sobre as guerras, sobre a violência e o ódio, e tudo o mais que todos já conhecem de cor.

O que falta pois é aprender algo de novo sobre a vida em paz, com maior compreensão, maior aceitação pela diferença, pela liberdade, pelo mesmo direito à oportunidade de sermos felizes em harmonia com tudo o que nos rodeia sem que tenhamos de nos alinhar com as regras definidas por quem anseia pelo poder, por quem ainda não consegue alcançar o significado da expressão “vive e deixa viver”, por quem batalha por ideais que maltratam todos os que tentam sobreviver e não são imortais…

se eles soubessem, se pelo menos eles soubessem que pode ser diferente.

Ainda sou do temo da escrita manual, de saber valorar cada palavra que se escreve pelo significado que pode ter e não pelas dezenas de edições que posso mais tarde fazer,

Sou do tempo em que a leitura se fazia em silêncio, em que as vozes ocas eram menos ruidosas, quando hoje de tão simples que parece ser se torna cada vez mais difícil escrever, deixar fluir o pensamento puro, sabendo que poucos têm realmente tempo para ler e entender…

Hoje comemora-se a independência mas não podemos esquecer a liberdade e a sobrevivência, aquelas que dependem de cada um de nós, aquelas que queremos garantir aos que amamos e fazem parte do nosso mundo e por quem tantos, antes de nós, lutaram ao ponto de perder a vida prematuramente.

A todos os que sabem dar valor ao que a vida lhes dá, a maior homenagem que podemos fazer ao fim da guerra é promover a paz e defender a esperança de que não sejam precisas muitas mais memórias como estas para relembrar o que a vida já nos ensinou, porque se tivermos verdadeira paixão pela vida, o que ainda vai chegar é o melhor que pode ser e o que ficou para trás, por lá deve continuar onde já se findou.

Sou o que sou e serei sempre eu, como todos os outros, na busca solitária pela minha paz e pelo equilíbrio que me ajuda a erguer e a bater asas para poder livremente voar.

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