Ser e Amar um Pai

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Todos os dias são bons para amar um pai.

Presto assim homenagem a todos os que foram e já cá não estão, aos que vivem e dão a mão, aos que um dia ainda serão e a todos os que têm medo de falhar mas seguem em frente e procuram amar com o coração.

Ser pai é amar, gostar, cuidar, admirar, ensinar, ouvir e saber escutar, brincar e estar presente, e aprender… aprender a ser gente, a ser feliz e a sonhar, a acreditar que os nossos filhos podem fazer um Mundo melhor.

Com o meu pai aprendo a aceitar que tudo tem o seu lugar. Um coração maior que o meu faz-me crer que podemos viver sem maldade e violência, que é preciso ter calma e paciência, e que tudo se resolve quando tiver de ser quando for hora de acontecer.

No silêncio das palavras cresci muito sem conversar e levei tempo a reconhecer como o poderia vir a amar. Nem tudo se aprende a dizer e muito ensina sem falar, quando se dão exemplos de atitudes e valores que devemos sempre preservar. Hoje amo sem saber como expressar esta admiração, pela honestidade e bondade que lhe disparam a emoção, e de tanto que havia para herdar recebi o melhor que podia ter, coração de manteiga doce e refinada para suavemente derreter.

Dos que foram e já não são admiro alguns que conheci, dedicados e apaixonados, outros loucos e desvairados, que amavam com distanciamento social, porque os tempos eram diferentes e a vida custava mais, por entre o trabalho árduo e o descanso merecido, nem sempre os filhos tinham direito ao sorriso dos seus pais.

Acaso a morte aconteceu previamente anunciada, por causa de tudo ou vinda de nada, e no leito de uma cama passa a vida a ser contada… Porque um abraço não se pede quando se tem vontade de dar, de braços abertos e coração rendido muitos voltaram a amar. Com o calor que já não sentem, mas que aquece a noite fria, adormeceram para sempre em paz, serenidade e harmonia.

Do cosmos universal onde me vejo chegar um dia, chegaram também certa vez, duas estrelas que não conhecia. Em momentos diferentes mas que tiveram tudo de igual, quando olhei os meus filhos senti-me forte e imortal. Suave e doce derreti em lágrimas de alegria e paixão, de braços firmes e coração apertado, um novo mundo cabia nos dedos da minha mão, cheio de esperança e iluminado. Segurei cada um perto de mim e deixei vibrar solta a emoção, explodi mil vezes num segundo e inundei o céu com um clarão.

Foi o amor de um pai a nascer e expandir-se pelo infinito Universo num momento contínuo que não mais terá o seu fim, porquanto houver vida e morte, haverá sempre, mas sempre, amor de pai em mim.

Uma vez pai, pai para sempre, porque é um amor que cresce todos os dias, de tristezas e alegrias, amuos e euforias, que faz brotar novos rebentos, que devem ser cuidados e regados, protegidos e admirados, em muitos, mas muitos momentos.

Porque as palavras são fortes mas nem sempre conseguem dizer, e o que se explica é difícil de entender, que possam todos os pais sentir força e determinação para vencer, os medos do dia-a-dia, as incertezas do amanhã, os perigos, as discussões, as fúrias e os palavrões, porque é do exemplo que se ensina como se pode aprender e os filhos precisam de ver para poder crescer, que os filhos que partilham com os pais, não só a casa mas os valores morais, possam ser homens e mulheres capazes de honrar e amar aquilo que é de todos.

Será sempre assim, enquanto houver vida e morte e tudo o resto aqui ficar, seguem connosco a consciência e o que com ela conseguirmos alcançar.

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