Vêm aí a Liberdade!

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O Mundo vai voltar ao normal. Ao normal não será porque já se sabe que nada será como dantes e isso já todos percebemos.

Na manhã de hoje, tal como nos últimos tempos, ouve-se no silêncio cada vez menor dos carros que passam e das pessoas que andam nas ruas, o suspiro de alívio que nos chega das megalópoles e países onde o estado de emergência parece estar a terminar e onde a economia se prepara para reconquistar de novo o que já foi seu, o que nós lhe demos em tempos idos de liberdade sem saber, e que ela durante estes tempos recentes de clausura forçada acabou por perder.

Este alívio inocente de quem não consegue viver sem gente em redor, sem convívio, sem compras, sem passeios em lojas, sem agitação, sem burburinho e sem emoção vem demonstrar que talvez afinal as regras façam falta e que a lamúria e queixume que se ouviam são resultado tolo daquilo que intimamente muitos sempre desejaram para orientar a sua vida.

Pensar por mim, decidir sozinho e ao mesmo tempo ser responsável é aborrecido, quando rouba tempo para desfrutar de tanta coisa que dá prazer, que nos faz sentir vivos e que exulta o nosso ser…

Autoconhecimento, consciência e evolução são palavrões rebuscados e complicados de gente erudita, esquisita, adepta de fruta e vegetais e que não gosta de coca-cola, fast-food e batata frita.

Está tudo a postos, tudo preparado, garras afiadas, cercas reparadas e o gado alinhado… vêm aí a liberdade desejada, em que poderemos voltar à vida que existia, mas com novas regras, novas normas e novos pastos. Vamos poder explorar novas áreas, novos serviços, novas oportunidades, criar novos hábitos e é como se a vida começasse agora de novo depois de tudo o que se passou.

Haverá de novo gente feliz nas ruas, mas com sorrisos escondidos pelas estampas coloridas da nova obrigação, nada demais porém, é apenas mais uma entre tantas outras que já seguimos com atenção.

Continuarei a ter o meu espaço, e agora até vou poder abrir os braços, saltar e dar piruetas sem tocar em ninguém. É tolo talvez, mas fica entre nós, não digo a ninguém que às vezes não respeitarei as regras e irei comer no recanto do lado, irei dar abraços e copular na amizade, porque afinal entre vizinhos e amigos há cumplicidade, harmonia e por vezes até sinceridade.

Se tudo correr bem, irão florescer grandes pastagens para todos nós, com espaço e abundância, onde poderemos viver a nossa vida ordenada como tanto desejamos, criar os nossos filhos debaixo da alçada dos iluminados que pensam em nós, para que possamos seguir confiantes, sem as mãos dadas, mas com as mentes unidas nas promessas e nas certezas de que seguindo o caminho traçado, desfrutaremos de tudo o que está escrito que é nosso direito, e mesmo não sabendo ler as entrelinhas, agradeceremos aos Céus esta bênção de haver quem cuide de nós tão desinteressadamente…

Podia ser diferente, mas talvez não fosse tão atrativo ser gente diferente, independente e crente na nossa liberdade de escolha, e poder saltar fora do cercado e viver à margem do que nos “é dado”, criar um mundo próprio sem soberba, sem ganância de querer juntar, ter apenas o que se precisa e o que sobra poder dar… de coração, porque faz sentido ser assim, querer o bem de todos e não o seu fim, e não ter a mania de julgar, de querer impor e mandar, e saber deixar estar, deixar ser e deixar andar… o outro que como eu tem o seu mundo dentro deste, e quer ser livre para escolher o que o vai ocupar na vida até ser hora de morrer.

Mas muitos não estão ainda preparados para saltar e apenas conseguem ao longe admirar aqueles que o fazem, que na liberdade conseguida por entre feridas da cisão, saltam como nunca de alegria e emoção, livres de máscaras e medos, etiquetas e correntes, e quebram óculos e viseiras que os impediam de ver o Mundo livre… sem códigos de barras, sem nações, sem corporativismo, sem associações…

Onde todos habitam e convivem neste planeta gigante que nos dá tudo o que tem, e onde tudo é de todos e nada é de ninguém…, onde as ações que se fazem levam o que dou genuinamente e trazem o que mereço evidentemente, e onde tudo existe sem um preço, porque o respeito e o equilíbrio não se compram com nada que possamos ter, porque já são nossos, já os temos, e apenas precisamos de com eles, saber respirar e saber viver.

Com a boca coberta porque assim tem de ser, surge agora a oportunidade de aprender que há mais na vida para sentir e escutar, do que aquilo que tantas vezes temos para dizer.

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