A hora certa para viver

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Antes de conhecermos o que se vive hoje com o corona vírus, o Mundo que tínhamos era maravilhoso como sempre foi, e aquilo que muitos não conseguiam ver estava ofuscado por algumas infelizes criações humanas das sociedades que evoluíram ao longo de milénios e séculos, que promoveram desigualdade, injustiça, competição e falta de respeito pelos outros e por aquilo que nos rodeia.

Hoje o Mundo continua a ser maravilhoso naquilo que nos oferece todos os dias e que vêm sustentando a nossa existência, indiferente à nossa soberba microscópica perante a grandiosidade do Cosmos universal que não precisa de se exibir para marcar a diferença. Mas hoje muitos continuam a não ver a magnitude dessa beleza porque se perdem no lado errado da oportunidade de mudança que está a surgir e a negatividade do seu pensamento atrai à mente as consequências que não querem ver nem ouvir falar.

O futuro ainda não existe, mas muitos já projetam desejos e aspirações para o que gostariam que fosse o Mundo depois de tudo isto terminar e a renovação der lugar ao que os livros de história chamarão de “ressurgimento”, “nova era” ou algo do género. Antes de tudo isto acontecer havia uma sensação de insatisfação generalizada face aos problemas do Mundo, diziam-se balelas e palavras ocas que de forma gratuita preconizavam em voz alta as soluções globais que resolveriam os males do Mundo.

– Era bom que houvesse uma guerra global onde morressem muitos e com isso aprendíamos de novo a dar valor à vida. Os que ficassem iriam renovar tudo!

– “Se as grandes empresas fechassem todas queria ver como é que esses poderosos iam viver depois. Nós estamos habituados a viver com pouco, agora eles, ia ser bonito”

– Só consumismo. Só lojas e lojas por todo o lado, que vendem de tudo para nos fazer gastar dinheiro, para nos deixar dependentes do salário que ganhamos nos empregos que somos obrigados a ter para podermos ter dinheiro para comer. A maior parte das coisas que se vendem não são precisas e deviam era acabar todas. Acabava-se logo este consumismo.

– Se eu pudesse mudava isto tudo. Se as pessoas tivessem tempo para parar e pensar arranjavam-se de certeza melhores soluções para vivermos melhor todos juntos e para sermos mais amigos e unidos. Acabava em três tempos com as guerras e com a luta pelo poder.

– A pobreza no Mundo acontece porque a maior parte das pessoas nunca se viu privada da sua liberdade e não passou dificuldades que as obrigasse a serem solidários e unidos para conseguir sobreviver. Somos uns egoístas mimados e muitos precisavam de viver como vivem os mais pobres para dar valor ao que têm.

Tanta imaturidade em discursos fáceis quando ninguém imaginou que um dia poderia ser chamado à responsabilidade de lidar com essas consequências, de experimentar essas criações e de com elas crescer e fazer evoluir o Mundo.

Preces vãs de frases feitas à medida, replicadas e partilhadas para aliviar a consciência e permitir a continuação do laxismo, do deixar andar, do tem de ser, na vitimização de que somos pequenos demais para fazer a diferença.

Será que hoje queremos mesmo falar de tamanho, quando aquilo que enfrentamos teve origem em algo tão pequeno que é invisível aos nossos olhos?

O que tiver de ser o futuro da Humanidade e a forma como se irão reorganizar as sociedades humanas depende da nossa capacidade de ver o Mundo que continua a ser maravilhoso e deslumbrante como sempre foi e que irá continuar a dar-nos tudo o que tem para nos permitir viver e usufruir desta oportunidade.

A economia vai ressurgir e recuperar o seu controlo totalitário sobre as ações no Mundo se for essa a nossa escolha. O consumismo, o materialismo e a indiferença pelo valor humano, pela sustentabilidade e pelo equilíbrio universal continuarão a ser os temas das nossas conversas e blasfémias ocas, maldizentes do mundo renovado, se essa for a nossa escolha.

Todos os dias há uma responsabilidade que não podemos delegar nem fingir que não conhecemos. Somos resultado daquilo que fazemos, daquilo que dizemos e promovemos, e dos exemplos que damos à nossa volta a todos os que nos rodeiam e em nós se revêm como amigos, colegas, vizinhos, pais e filhos, ou apenas como cidadãos do Mundo e do Universo.

Depois de tudo passar, a morte um dia vai levar na mesma todos os que agora ficarem porque é assim que se renova a vida. O maior vírus que nos assombra hoje não é o corona vírus mas a dificuldade em compreender e aceitar a situação que aconteceu, em deixar cair a ilusão de controlo e em assumir uma consciência elevada perante a magnitude do momento, correndo o risco de não ver nada de bom e continuarmos a olhar apenas para a nossa perspetiva individual e egocêntrica que nos afasta mais uma vez do equilíbrio e harmonia que secretamente todos sabemos que queremos ter.

É tão fácil escrever balelas, que hoje perdi-me nelas, nas tais palavras ocas que não resolvem nada se não forem seguidas das ações correspondentes. Será assim que muitos irão ler o que escrevi, apesar de muitos outros entenderem o alcance do que senti. A todos espero encontrar-vos do lado de fora das nossas casas quando for hora de voltar à rotina, quando a desculpa terminar e for tempo de recomeçar. Que as saudades que já sentem do mundo que conheciam, que diziam não gostar, mas em breve quererão ver regressar, não vos limite no sonho de quer mais e melhor e na capacidade de escolher diferente, de fazer diferente e se unirem com o propósito de apreciar as maravilhas do nosso Mundo.

Vamos todos morrer é certo, mas até lá podemos aprender a viver!

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